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Sou M.
Esse é o meu pseudônimo, e o motivo é simples: maternidade real, espiritualidade autêntica e experiências íntimas não combinam com exposição. Quero escrever com a liberdade de quem não tem que se preocupar com o que a vizinha vai pensar, ou com minha criança ter sua história indexada no Google quando crescer. Você não vai saber meu nome verdadeiro, nem o dela, nem onde a gente mora. O que você vai encontrar aqui é tudo o que realmente importa.
Mãe de primeira viagem
Daquela que a vida inteira disse que não queria ter filhos. Que pagou pra ver, e teve a vida virada de ponta-cabeça com a chegada de uma nova alma na família.
Tento equilibrar maternidade, espiritualidade, trabalho e vida pessoal — e percebo, há um tempo, que os pratos estão balançando. No fim, aquilo que não é essencial vai ter que dar espaço ao que é sagrado. Alguns pratos terão que cair.
A tempestade
Meu bebê, a L., veio sensível. Desde o primeiro dia.
Ainda não há diagnóstico cravado — atualmente a gente investiga questões sensoriais — mas durante os cinco primeiros meses, ela estava chorando ou dormindo, e quase nada no meio. Luz, barulho, movimento, multidões, toque, textura. Tudo era demais.
Foram quatro meses de reclusão. Medo de moto na rua, caminhão, fogos de artifício, gente demais em casa, luz forte. Numa fase, amamentei em quarto escuro e em silêncio absoluto — qualquer estímulo desviava sua atenção, e ela, ficava com fome. Sonecas no colo, em quartos blackout, com o bebê em cima do meu corpo ou do pai, por horas. Uma, duas, três. Levava de meia hora a uma hora e meia pra fazê-la dormir — não eram minutos prazerosos com o bebê balbuciando; eram minutos infinitos, com ela esperneando, gritando, infeliz, e a gente andando de um lado pro outro sabendo que cada hora de sono significava a paz que aquele lar precisava.
E eu tinha acabado de sair de um parto difícil. Seis dias no hospital, dois deles na UTI sem poder cuidar do meu bebê. Quando saí da UTI eu estava destruída, fisicamente e mentalmente. Estava de corpo presente, mas a alma estava em outro lugar. Foram meses. Depressão pós-parto encontrando uma criança altamente demandante. Mistura explosiva.
No meio da tempestade, achava que ia ficar lá pra sempre. Não fiquei. Foram cinco meses terríveis; até um ano de idade, ainda ruim; até um ano e meio, tolerável; depois dos dois, a paz se firmou na frase “é nossa criança, com seus altos e baixos, e tá tudo bem”. Mas enquanto eu estava dentro, o “depois” parecia inalcançável. E de vez em quando ainda parece.
Mas não foi sem esforço que contornei a situação e comecei a enxergar tudo com outros olhos. Muitos aprendizados sobre maternidade, espiritualidade, nossa origem, nossos traumas. Aprendizados que valem ser compartilhados com outras mães e pais pelo mundo afora. Essa é a minha forma de retribuir toda ajuda que tive de outros pais, autores, blogueiros e escritores de reddit, para sobreviver ao turbilhão da maternidade. Que está somente no começo.
É exatamente por isso que estou escrevendo agora.
Por que esse blog
Eu sempre escrevi.
Foi sempre o meu melhor jeito de me comunicar. Quando escrevo, as ideias fluem como se saíssem da cabeça direto pra mão. Quando falo, eu me perco — na minha voz, na expressão do outro, no barulho do avião. Meu primeiro diário comecei aos doze anos. Eles me acompanham desde então, indo e voltando, em muitos cadernos.
Mas escrever pro público é uma ideia recente. Veio depois de me tornar mãe.
No meio da loucura da tarefa, da busca por luz e clareza diante de uma demanda tão específica, dos testes que não funcionavam, dos livros que prometiam tudo e nada entregavam, das noites sem dormir, da certeza de que eu estava fazendo algo errado, já que funcionava para todo mundo menos para meu bebê, eu fui salva muitas vezes por mães e pais reais, que se dispuseram a contar a própria experiência na internet, em livros, em podcasts.
Acredito que posso somar nesse universo. Não porque tenho respostas — tenho buscas. Mas as buscas, quando contadas com honestidade, podem ser em si mesmas as próprias respostas.
O que é espiritualidade pra mim
Não é religião. Não é dogma. Não é cumprir regras escritas por alguém em algum tempo remoto. Não é participar de rituais, ir à missa, à igreja, à sinagoga, confessar, rezar, jejuar.
Mas também pode ser tudo isso.
Espiritualidade acontece quando se descobre que a verdade está dentro de nós mesmos. Que somos parte do Todo, e portanto também *somos* o Todo. Se o Todo é amor, somos amor. Se o Todo é compaixão, somos compaixão. Se o Todo é raiva e sofrimento, também somos. Somos tudo, somos inteiros, e o caminho da espiritualidade é estar nessa vida, nessa Terra, lidando com as dicotomias, as contradições, as polaridades — tentando lembrar dessa conexão.
Quando descobrimos que não há necessidade de intermediários pra falar com Deus, com o Universo, com o Eu Superior — e que qualquer pergunta pode ser respondida se for feita de coração, basta entrar na vibração certa — estamos no caminho.
Quando assumimos a responsabilidade pelo que acontece nas nossas vidas, sem culpar a nós mesmos e nem a ninguém, com curiosidade de entender por que estamos passando por determinadas situações, buscando respostas dentro de si…então estamos no caminho da espiritualidade. Lembrar de nossa conexão, independente de qual ferramenta estejamos usando.
O caminho é a espiritualidade. Para dentro e pra cima.
Meu mantra
Tenho muitos guias, muitas pessoas a quem leio e acompanho. Mas a frase que carrego como mantra é uma só:
Você cria sua própria realidade.
Sei que é polêmica, complexa, pesada. É difícil afirmar pra alguém que está passando por algo terrível que aquela realidade foi escolhida. Não vou entrar nessa discussão profunda aqui — existem mestres que explicam isso melhor do que eu.
Pra mim, o mantra funciona. Quando tudo vai bem, ficar contente em saber que estou em uma frequência boa, criando frutos bons, é fácil. Mas é nas horas ruins — quando a tendência humana é culpar situação, o outro, o governo, o universo, a formiga que cruzou meu caminho — que o mantra mais me serve. Ele me convida à coragem de admitir que o que está aí foi feito por mim, e à curiosidade de entender o como e o porquê. Sem culpa, tentando melhorar a frequência que vibro e a realidade que experiencio.
E é a meditação que fecha o ciclo. É nela que as perguntas corretas, respostas e insights começam a florescer na mente fértil de quem olha para dentro de si.
O que você vai encontrar aqui
Reflexões sobre maternidade — aquela da vida real, sem aldeia, sem refúgio, sem encantos. E com muitos encantos também. Sobre espiritualidade vivida no fundo do poço e nas nuvens mais etéreas e elevadas. Sobre experiências de vida que me atravessaram. Sobre autoconhecimento como forma de vida.
E também leituras e ouvituras — os livros, os podcasts, as autoras e os mestres que me ajudaram a sair dos buracos. Pra que você, se quiser, possa conhecer também.
Frequência
Aqui não tem calendário editorial. Eu escrevo quando a coisa pede pra sair. Como frequentemente tem alguma coisa gritando aqui dentro, vou tentar postar semanalmente. Mas se desaparecer por uma semana ou duas, é porque a vida pediu silêncio — eu volto.
Pra você
Se você chegou até aqui, talvez seja porque também está atravessando alguma coisa. Maternidade nova. Maternidade antiga e ainda doendo. Uma fé em construção. Um buraco — raso ou fundo.
Espero, com tudo que tenho, que você saia daqui com a sensação de que não está sozinha. Que não é uma mãe ruim. Que tudo tem propósito, mesmo o que parece insuportável. E que você tem, dentro de si, todas as ferramentas que precisa pra sair de qualquer lugar onde tenha se enfiado.
Bem-vinda.
— M.



